Bienal do Livro reafirma sua vocação de evento voltado aos jovens

Alunos do Circo Social Crescer & Viver visitam a 17ª edição da Bienal do Livro do Rio (Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Mais do que uma grande vitrine da produção editorial, a Bienal do Livro tem reafirmado, ano após ano, seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro, sua vocação de evento voltado aos jovens – leitores vorazes, bons consumidores e fãs capazes de esperar horas em uma fila para ganhar uma senha para poder ficar mais algumas horas em outra fila para então sair com um autógrafo e uma foto de seu ídolo. Nesta edição da feira carioca, que terminou no domingo, os visitantes com idade entre 15 e 29 anos foram a maioria e representaram 56% do público total do evento – em 2013, eles eram 51%. E editoras com livros dedicados a esses leitores não tiveram do que reclamar.
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A Intrínseca, por exemplo, registrou o maior faturamento de sua história. Ela não revela valores, mas informa que vendeu nada menos do que 75 000 exemplares de títulos variados. Isabela Freitas, de 24 anos, é a autora dos dois livros mais vendidos no estande da editora: Não Se Apega, Não e Não Se Iluda, Não. Mas o reinado da blogueira, que já acumulava 400 000 exemplares vendidos antes da Bienal, pode ser ameaçado nos próximos dias. Chega às livrarias na sexta-feira, Grey, novo livro da série milionária Cinquenta Tons de Cinza.
Depois de vender 6 milhões de exemplares dos três primeiros títulos de E.L. James – a britânica que popularizou o de soft porn -, a editora diz que mandou imprimir 400 000 exemplares desse quarto volume, narrado, agora, por Christian Grey (os outros contavam a história com base no ponto de vista de Anastasia Steele). Só na pré-venda, foram comercializados 50 000 exemplares.
Grey não será o único com uma tiragem grande neste semestre. Diário de Um Banana – Bons Tempos, o 10º da série de Jeff Kinney, com lançamento mundial no dia 3 de novembro, também terá tiragem inicial de 400 000 cópias. Sucesso entre os leitores de cerca de 10 anos, a série também vendeu bem na Bienal. De Caindo na Estrada, o 9º e o mais vendido no estande, foram 2.200 exemplares. Depois aparecem os volumes 1, o que mostra que novos leitores estão descobrindo os livros de Greg, e o 8. No total, segundo a V&R, foram comercializadas 14 000 cópias da coleção durante o evento. A editora conta que registrou 15% de aumento no faturamento comparado com 2013.
O Grupo Record, que calcula ter recebido 140 000 pessoas em seu estande e vendeu, em valores, 15% a mais do que na edição passada, também se surpreendeu com o público juvenil. Os dois títulos mais vendidos foram Invasão do Mundo da Superfície – Uma Aventura Não Oficial de Minecraft e Batalha pelo Nether – Uma Aventura Não Oficial de Minecraft(Vol. 2), ambos de Mark Cheverton e inspirados no jogo de videogame. Na Sextante, Diário de Um Zumbi do Minecraft foi o best-seller (2 000 exemplares).
Apesar desse bom desempenho do título infantojuvenil, a grande aposta da Sextante para este semestre será Oceano Perdido, o terceiro de colorir de Johanna Basford. O primeiro, Jardim Secreto, vendeu 1,2 milhão de cópias, segundo a editora. O seguinte, Floresta Encantada, 800 000. “Não entramos nesse mercado para ter o sucesso que tivemos e descobrimos que essa autora tem seu público fiel. Imagino que o novo título representará 25% do que o segundo representou”, diz Marcos da Veiga Pereira, que além de diretor do Sindicato Nacional de Editores de Livros é sócio da Sextante.
“Embora tenham conquistado um bom espaço, os livros de colorir terão uma queda brusca”, diz Ismael Borges, coordenador da BookScan, serviço da Nielsen que mede a venda de livros (veja a lista acima). Talvez por isso, a editora de Pereira tenha encomendado apenas 200 000 exemplares de Oceano Perdido à gráfica. Mas, de olho nesse novo público interessado em passatempo, a casa já adquiriu os direitos da coleção Ligando os Mil Pontos, que lança em outubro.
Borges diz que está otimista com relação a este segundo semestre – historicamente, a segunda metade do ano é melhor do que a primeira para o mercado editorial. “Não acho que o cenário é catastrófico. Os números estão abaixo da inflação, mas, comparado a outras indústrias, a do livro vai muito bem, obrigado”, diz. Para ele, por causa do preço, o livro será mais uma vez uma boa opção de presente de Natal. Borges vê, ainda, uma boa oportunidade de descoberta de novos autores brasileiros. Em vez de brigar pelas grandes promessas de best-sellers internacionais, as editoras vão mirar as novas celebridades brasileiras. A Novo Conceito é um bom exemplo disso. Sucesso no YouTube, o vlogueiro Christian Figueiredo levou fãs à histeria na Bienal e seus dois livros, Eu Fico Loko 2 (7 000) e Eu Fico Loko (4 500) foram os best-sellers do estande da editora. O garoto de 21 anos já acumula quase 300 000 livros vendidos.
Uma das apostas do grupo Companhia das Letras para este semestre segue a mesma linha. Aos 22 anos, Kéfera, que tem 5 milhões de seguidores no YouTube, 4 milhões no Facebook, 2,9 milhões no Instagram e 97 000 no Twitter, claro, também fez barulho na feira carioca. Lançado em 2 de setembro, Muito Mais Que 5inco Minutos teve tiragem inicial de 75 000 exemplares. Christian, Kéfera e Isabela Freitas são apenas alguns exemplos, e, já que está virando modismo, novos nomes devem ser revelados em breve.
Há muito mais no prelo das editoras, a caminho das livrarias ou recém-chegados às prateleiras. A Rocco, por exemplo, acaba de lançar um box de luxo com os títulos da série Harry Potter. A Intrínseca lança, em 1º de novembro, edição comemorativa de 10 anos de Crepúsculo. Sem perder de vista os romances que viram filmes e que se tornam (antes ou depois das telas) best-sellers, a Novo Conceito publica Tudo e Todas as Coisas, de Nicola Yoon, sobre uma garota que cresce pensando ser alérgica a tudo.
As tiragens são altas, a expectativa é boa, mas ainda assim o mercado está preocupado (se olharmos para as editoras médias e independentes, o cenário piora). “Se conseguirmos fechar o ano com um crescimento de 3 a 5% nominal será uma vitória”, comenta Pereira. “Vamos andar de lado e isso é bom”, diz Borges. Para o coordenador da BookScan, é preciso não perder de vista os chamados jovens adultos, que são “quem está consumindo efetivamente”.
Comentário:Aconteceu a pouco tempo a famosa Bienal do Livro e como era esperado,muita gente do RJ foi e muita gente que não é do RJ foi também,sendo youtuber,escritores,fans,professores,alunos,todos que amam ler foram comprar seus livros favoritos,comprar o livro de seu escritor favorito e até conhecê-lo.Eu queria ir,só que infelizmente não pude,mas tive amigos e amigas que foram e disseram que foi fenomenal.Para quem foi deve ter se divertido muito,conheceu seus ídolos...e para quem não foi,como eu,só lamenta.
Fonte:Veja