terça-feira, 29 de outubro de 2013

Bem estar

Brasil vai produzir vacina de sarampo e rubéola para países pobres

Saúde faz parceria de R$ 1,6 bilhão com Fiocruz e Bill & Melinda Gates.
Atualmente, país exporta doses para 75 nações em todo o mundo.

Mariucha MachadoDo G1 Rio
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Ministro da Saúde anuncia ampliação de vacina brasileira para o mercado global (Foto: Mariucha Machado/G1)Saúde anuncia ampliação de vacina brasileira para
o mercado global (Foto: Mariucha Machado/G1)
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta segunda-feira (28), no Rio de Janeiro, uma parceria com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e a Fundação Bill & Melinda Gates para formular a primeira vacina brasileira – contra sarampo e rubéola – para ser destinada a países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina. Atualmente, essa dose é fabricada apenas por um laboratório indiano.
A expectativa é que 30 milhões de doses estejam disponíveis no mercado até 2017. Segundo Padilha, cada uma delas será comercializada por US$ 0,54 (R$ 1,17), o menor preço do mercado mundial. O ministro disse que a parceria é a consolidação da terceira fase do Programa Nacional de Imunizações, que completa 40 anos.
"O acordo que a gente assinou propicia mais investimentos e garantia de compra, o que possibilita ocupar o mercado externo pelo menor preço. O ministério está investindo R$ 1,6 bilhão e, com os investimentos no desenvolvimento de vacina dupla e o investimento da fundação, estaremos capazes de entregar a produção de 30 milhões de doses em 2017", explicou.

Investimentos
O secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, disse que este é o primeiro passo concreto de uma ação que vem sendo realizada desde 2011.
"Depois que o Brasil foi muito bem-sucedido no mercado nacional de imunização, vai atender à demanda global. Vamos avançar para a (dose) pentavalente e a vacina da dengue também. Isso estimula a produção no Brasil. O investimento será de R$ 13,3 bilhões em saúde, o que abrange vacinas, medicamentos e equipamentos médicos", disse.

Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, a instituição tem capacidade de ampliar a produção para o mercado internacional. A parceria possibilitou um processo de desenvolvimento e finalização para produzir doses com preços mais baixos.

"Com esse preço, chegamos a uma situação vantajosa. Os investimentos na Fiocruz estão em torno de US$ 500 mil (R$ 1,09 milhão). Isso pode quadruplicar nossa capacidade de produção", afirmou o presidente da Fiocruz.

De acordo com o ministro Padilha, todos os investimentos vão gerar emprego e renda. Além disso, a tecnologia desenvolvida vai beneficiar o mercado interno. Atualmente, o Brasil exporta vacina para 75 países em todo o mundo.

Nacionalmente, o sarampo foi erradicado em 2000 e a rubéola, em 2009. Mas de 150 mil pessoas no planeta ainda morrem em decorrência do sarampo.

Escala de produção
As vacinas produzidas em Bio-Manguinhos serão fornecidas a países atendidos pela Aliança Global para Vacinas e Imunização e por entidades da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com o diretor de Bio-Manguinhos, Artur Couto, essa parceria vai fortalecer o papel do instituto. O valor investido será destinado à construção de um laboratório em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, que permitirá a produção de outras vacinas.

O presidente da Fundação Bill & Mellinda Gates, Trevor Mundel, reforçou a importância da parceria. Segundo ele, por questões de segurança, é importante ter uma diversidade de fornecedores de vacinas, a preços baixos. A fundação vai investir R$ 1,5 milhão para o desenvolvimento e pesquisa clínica no continente africano.
"A meta geral é que todas as crianças do mundo tenham acesso universal a vacinas que  protegem vidas", disse.

Programa Mais Médicos
Segundo o ministro da Saúde, os médicos brasileiros e estrangeiros que aderiram ao programa Mais Médicos já começaram a trabalhar no Rio. Padilha afirmou ainda que mais 120 médicos formados em outros países estão chegando à cidade desde sábado (26).

"A partir de 4 de novembro, eles vão começar a atender nos postos de saúde", afirmou.
O ministro disse, ainda, que até março de 2014 as demandas de todos os 13 mil médicos solicitados pelos municípios serão atendidas.
comentário:Essa vacina na minha vai poder mudar o mundo pois muita gente sofre por essa doença,e deixar alguns países sem mais um problema para os abitantes como a Africa.Assim,como essa vacina foi criada por brasileiros vai ser uma honra para nós saber que essa vacina curou várias pessoas do mundo todo.

domingo, 27 de outubro de 2013

Mundo







Negros formaram ligas de futebol informais no início do século XX

Ao integrar o time do Bangu, em 1904, Carregal (com a bola) tornou-se o primeiro jogador negro a disputar uma partida oficial no Brasil
Ao integrar o time do Bangu, em 1904, Carregal (com a bola) tornou-se o primeiro jogador negro a disputar uma partida oficial no Brasil Foto: Reprodução

Renato Grandelle - O Globo
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Considerado hoje o mais democrático dos esportes, o futebol volta e meia tem a reputação arranhada pelo preconceito racial. No início do mês, a Fifa reuniu sua força-tarefa para discutir punições contra a discriminação. É um recado claro para dirigentes como o português Nuno Lobo, denunciado esta semana à União das Federações Europeias de Futebol (Uefa). Em 2011, à frente da Associação de Futebol de Lisboa, ele chamou o jogador brasileiro Hulk de “macaco”. O preconceito tem raízes profundas na história do esporte. No início do século passado, o acesso às quatro linhas do gramado era vetado a negros e mulatos.
Quando Charles Miller trouxe a primeira bola de futebol para o Brasil, o esporte logo desbancou o turfe e o remo como preferência nacional. Mas era marcado por contradições. Brancos construíram estádios, negros improvisaram campos de várzea. Brancos trajavam uniformes de marinheiro e limpavam o suor com lenços, negros usavam barbante para amarrar o meião. Brancos comemoravam as partidas com uísque. Negros, cachaça.
— O futebol, assim como os Jogos Olímpicos, era considerado um resgate dos valores gregos, a união da inteligência com beleza corporal, uma mistura de racionalismo com o ideal de conquista — descreve Carlos Alberto Figueiredo da Silva, autor do livro “Racismo no futebol”. — Daí vem a ideia do “fair play”, do cavalheirismo. Esses valores nobres seriam exclusivos da elite branca.
Em algumas cidades, os negros, impedidos de disputar os torneios, criaram suas próprias ligas. Entre os anos 1920 e 1930, São Paulo chegou a contar com 12 clubes disputando o campeonato informal.
— Algumas equipes eram extintas, mas logo depois outras eram criadas — lembra Petrônio Domingues, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Sergipe (UFS) e pesquisador da trajetória dos times de futebol de negros em São Paulo. — O futebol é um exemplo da barreira enfrentada pelo negro para ser inserido na sociedade depois da libertação dos escravos.
Os jogos de 13 de maio
Havia, no entanto, uma vez no ano em que os melhores de cada liga se encontravam. Entre 1927 e 1939, sempre no dia 13 de maio — quando é comemorada a abolição da escravatura — ocorria o clássico “preto x branco”. A equipe vencedora em três anos consecutivos levaria a Taça Princesa Isabel. Não há registro do placar de todas as disputas, mas, entre os resultados conhecidos, os negros venceram quatro vezes; os brancos, duas; e houve um empate. O mulato Arthur Friendenrich, considerado o melhor jogador brasileiro antes de Pelé, chegou a participar do desafio, mas vestindo a camisa dos brancos.
Criador do escudo do Corinthians e jogador do time entre 1922 e 1927, o artista plástico Francisco Rebolo, em depoimento ao sociólogo Antônio Gonçalves, condenou o preconceito contra os negros e lembrou a comoção popular causada pelo esporte: “Eu me recordo de que no Corinthians surgiu um mulato chamado Tatu, que jogava muita bola, era um craque. Certa vez, num jogo entre Corinthians e Paulistano, o Tatu marcou o gol da vitória. A cidade ficou tomada, com gente fazendo discurso, já foi uma vitória do povão”.
Os campeonatos negros também seriam vistos em outras cidades. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Pelotas teve a Liga José do Patrocínio; na capital do estado, a Liga Porto Alegrense, que se eternizou por seu nome pejorativo — a Liga da Canela Preta.
No Rio, segundo Figueiredo da Silva, o convívio entre morro e asfalto facilitou o intercâmbio futebolístico de negros e brancos. Veio da cidade o primeiro jogador negro a disputar uma partida oficial do esporte — Francisco Carregal, pela equipe do Bangu, em 1904.
A ‘arianização’ do esporte
Ainda assim, o preconceito era explícito. Equipes da Zona Sul, mais elitistas e preparadas, como Flamengo, Fluminense e Botafogo, aliavam-se aos times pobres só para incentivá-los a derrotarem seus adversários diretos. Os brancos se recusavam a jogar em feriados — esta prática era relegada aos “sem família”. Quando o Vasco tentou disputar a primeira divisão carioca, em 1924, a associação futebolística condicionou sua participação na liga à retirada de doze negros e mulatos de seu time. Era, como descreveu o jornalista Mário Filho, uma campanha pela “arianização do futebol brasileiro”. O Vasco se recusou a cumprir a medida e preferiu competir entre os times pequenos.
— Foi o primeiro manifesto mundial contra o racismo de uma entidade esportiva — destaca Figueiredo da Silva. — O Vasco era formado por dois grupos excluídos: os mestiços e a colônia lusitana, que buscava afirmação diante da nova elite brasileira. Já o Bangu tinha uma fábrica comandada por ingleses, mas os operários eram mulatos. A partir dos anos 1930, com a profissionalização do futebol, houve uma percepção do talento dos negros e, aos poucos, eles ganharam espaço nos grandes clubes.
comentário:Eu desde que eu era pequeno eu torço para o Vasco junto com meu avô e meu pai.E eu nunca sabia o porque meu pai e meu avô torce para o Vasco se ele não era o melhor clube.Então eu fui procurar a história dele e descobrir que ele foi o único que lutou contra o "racismo no futebol".Os outros clubes pelo que parece e dizem,nem ligavam por negros não poderem jogar futebol,mas o clube do Vasco deixou entrar "negros" nos jogos e assim foi desclassificado das finais.Bom eu acho que esse time não é só um time,ele foi uma revolução.