domingo, 18 de maio de 2014

Ética e cidadania 2 bimestre

Daniel Alves: É hipocrisia negar racismo e criticar #somostodosmacacos

Daniel Alves recebeu a reportagem no lobby do Hotel Rey Juan Carlos 1º em Barcelona

Após ser alvo de atitude racista na partida de futebol entre o Barcelona e o Villarreal, no último domingo (27), o lateral da equipe catalã e da seleção brasileira, Daniel Alves disse, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, que é hipocrisia criticar a campanha #somostodosmacacos, inciada nas redes sociais pelo atacante Neymar em defesa ao colega de equipe.

Rapidamente, esportistas, jornalistas, apresentadores de TV, artistas famosos e pessoas desconhecidas de todo o mundo aderiram à campanha, publicando e compartilhando fotos com bananas em solidariedade ao jogador. O Futebol Clube Barcelona declarou que "Alves uniu o mundo do esporte contra o racismo".

Por outro lado, também choveram declarações de representantes de movimentos antirracistas e pessoas anônimas criticando a iniciativa. Para eles, dizer que "somos todos macacos" seria uma maneira de reforçar um estereótipo contra o qual os movimentos antirracistas travam uma batalha constante.

"É hipocrisia criticar uma campanha contra o racismo. Os críticos estão se apegando ao contexto (o episódio da banana), e não ao objetivo, que é conscientizar as pessoas de que somos todos humanos e somos todos iguais", disse Daniel Alves.

Simpático, porém sério, o jogador recebeu a reportagem no lobby do Hotel Rey Juan Carlos 1º, em Barcelona, na noite desta terça-feira. Ele trajava terno preto do luto de quem, horas antes, havia participado da cerimônia solene em homenagem ao ex-técnico do Barça, Tito Vilanova, falecido no final de semana.

Reação em campo

Durante a partida de domingo, Alves bateria um escanteio quando um torcedor do Villarreal atirou uma banana ao campo do estádio El Madrigal. De maneira inusitada, o brasileiro comeu a fruta e continuou a jogada.

Daniel Alves comeu a banana jogada por um torcedor do Villarreal durante partida no domingo

"Foi tão natural e intuitivo, que só depois pensei na preocupação dos meus pais, porque eu nem pensei se tinha alguma coisa na banana", explicou.

Após a partida, o colega de time e de seleção Neymar ironizou o episódio publicando uma foto dele com o filho e uma banana, que imediatamente mobilizou as redes sociais.

As manifestações de apoio surpreenderam Alves. "Não esperava que as pessoas se envolvessem tanto com esse assunto. Em outras ocasiões em que havia denunciado o racismo, isso não aconteceu. Estava até pessimista com esse aspecto", comentou ele, que se disse alegre porque o racismo no futebol está em pleno debate.

Espanha racista?

Nesta terça-feira (29), as declarações que o jogador fez à imprensa brasileira de que há racismo na Espanha foram contestadas pelo técnico da seleção espanhola, Vicente del Bosque, e pelo presidente do Villarreal, Fernando Ruig.

Em diferentes coletivas de imprensa sobre outros assuntos, eles responderam a Alves afirmando que não há racismo na Espanha e que se tratava de casos isolados.

"Eu não quis generalizar. Não quis dizer que a Espanha seja racista. Mas sim que há racismo na Espanha, porque eu sofro isso em campos (de futebol) diferentes. Não foi um caso isolado", replicou Alves.

Ele disse que há quase seis anos tem denunciado casos de racismo no futebol. "Não sou vítima, nem estou abatido. Isso só me fortalece e vou continuar denunciando atitudes racistas", avisou.

Após as críticas de que #somostodosmacacos se tratava de uma jogada da equipe de marketing de Neymar, Alves afirmou que sabia da campanha e que o colega publicaria a foto. Mas a minha reação no campo não tem relação com isso. Sou natural, não tento ser um personagem", explicou à BBC Brasil. "Ganhei a força do Neymar para denunciar o racismo e fico feliz com a repercussão."

O próprio Neymar sofreu ofensa semelhante, com uma banana sendo atirada em campo, em sua direção, durante um amistoso da seleção brasileira contra a Escócia, disputado em Londres, em 2011.

Alves conta que ele mesmo já tinha a intenção de, mais uma vez, alertar para o racismo no futebol. "Havia conversado com pessoas mais influentes (nas causas antirracistas) para que eu não deixasse esse tipo de atitude passar. A campanha foi uma injeção de ânimo, porque o mínimo que se espera das pessoas são atitudes respeitosas", reforçou o lateral direito.

Atitude inesperada

No jogo do Barcelona contra o Espanyol, há cerca de um mês, uma banana também foi arremessada ao campo. "Não sei se era para mim ou para o Neymar, porque estávamos próximos naquele momento", lembrou Alves. Ele assegurou que, durante o jogo no campo do Espanyol, ambos ouviram insultos racistas da torcida adversária.

Com essa campanha, Alves disse que espera dar o alerta para que atitudes como essas sejam banidas do futebol. Ele torce para que a discussão sobre preconceito não seja passageira, mas constante, e que não se limite ao futebol.

Na segunda-feira (28), o Villarreal divulgou em nota oficial ter identificado o torcedor que atirou a banana e que o baniu do estádio El Madrigal "para o resto da vida".

Em comunicado, o Barcelona elogiou o apoio do Villarreal. "Sua condenação pública e imediata às agressões registradas em El Madrigal vão na direção correta", registrou o clube catalão.

"Foi uma atitude de tirar o chapéu para o clube, eu não esperava. Mas acho que é insuficiente", comentou Dani Alves. Segundo ele, somente essa punição não gerou no torcedor uma conscientização sobre o racismo e o ideal seria "pagar o mal com o bem".

Fonte-BBC BRASIL

Educação 2 bimestre

Estima-se que a Copa do Mundo de 2014 custará R$ 28 bilhões. Tomando o estudo do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial) como referência, com R$ 25,277 bilhões daria para construir unidades escolares para todos os 3,7 milhões de brasileiros de 4 a 17 anos que estão fora da escola.


Daniel Cara
  
São Paulo, 20 de junho de 2013.

Um dos motivos da justa onda de protestos que toma o Brasil é o alto custo da Copa do Mundo de 2014.

Estive a trabalho na África do Sul no período da Copa das Confederações (2009) e da Copa do Mundo (2010). É bom que todos os brasileiros tenham ciência: em qualquer lugar do mundo, os eventos FIFA são demasiadamente onerosos e elitizados. Contudo, no Brasil a situação está mais grave.

Ontem (19/6), o jornalista Jamil Chade, do grupo Estado, informou que em abril o governo estimava que a Copa do Mundo de 2014 custaria de R$ 25,5 bilhões. Anteontem (18/6), o secretário-executivo do Ministério dos Esportes, Luis Fernandes, anunciou que a Copa deverá custar R$ 28 bilhões.

Em comparação com outros Mundiais, o evento no Brasil é o mais dispendioso. Em 2006, a Alemanha gastou na 3,7 bilhões de euros para sediar a Copa, cerca de R$ 10,7 bilhões. Em 2002, Japão e Coreia, gastaram juntos US$ 4,7 bilhões, cerca de R$ 10,1 bilhões. Na África do Sul, em 2010, o custo do evento foi de US$ 3,5 bilhões, perto de R$ 7,3 bilhões. Conclusão: a Copa do Mundo de 2014 será a mais cara da história.

E é um acordo estranho. O Brasil paga a conta, mas é a FIFA quem lucra. Segundo seus próprios dados, a "entidade máxima do futebol" estimava, em 2011, que gastaria US$ 3,2 bilhões para organizar o Mundial, obtendo uma receita de US$ 3,6 bilhões. Mas Jerome Valcke, o mal humorado secretário-geral da FIFA, admitiu que a renda irá superar a marca de US$ 4 bilhões, dobrando o lucro da entidade com o evento. 

Com base nessas informações, realizei um rápido exercício de cálculo. Fui estimulado pela imagem de um cartaz que figurou nos protestos de São Paulo, altamente compartilhada nas redes sociais. O texto dizia: "Eu quero escolas e hospitais 'padrão FIFA'".

Aviso, logo de cara, que tal como ocorre com os estádios de futebol, o chamado padrão FIFA é um luxo desnecessário. Portanto, como referência, vou tomar o único instrumento brasileiro capaz de contabilizar o custo de construção, equipagem e manutenção de escolas dedicadas à relação de ensino-aprendizagem. O mecanismo é de autoria da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e se chama CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial).

Fiz o seguinte exercício: o que os R$ 28 bilhões que serão gastos com a Copa do Mundo de 2014 fariam pela educação pública?

Como parâmetro de demanda, tomei como base o dado do relatório brasileiro "Todas as crianças na escola em 2015 - Iniciativa global pelas crianças fora da escola", produzido pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e, novamente, pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A principal conclusão do documento é que 3,7 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, de 4 a 17 anos, estão fora da escola. No entanto, segundo a Emenda à Constituição 59/2009, todos os cidadãos dessa faixa-etária devem estar obrigatoriamente matriculados até 2016.

Assim, o primeiro desafio é o de dimensionar o volume de pré-escolas e escolas que precisam ser construídas. Operando os cálculos, faltam 5.917 estabelecimentos de pré-escolas, 782 escolas para os anos iniciais do ensino fundamental, 593 escolas para os anos finais e 1.711 unidades escolares de ensino médio. Em segundo lugar, é preciso dimensionar os custos de construção e aquisição de equipamentos. Para os 5.917 prédios de pré-escola são necessários R$ 15,047 bilhões. No caso das unidades de ensino fundamental, o custo seria de R$ 1,846 bilhão para os anos iniciais e 1,769 bilhão para os anos finais. Por último, para construir e equipar as escolas de ensino médio, o investimento seria de R$ 6,615 bilhões.

Tudo somado, o Brasil deve aplicar R$ 25,277 bilhões para construir e equipar pré-escolas e escolas capazes de matricular todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos até 2016. Ainda assim, subtraindo esse montante dos R$ 28 bilhões que devem ser despendidos com a Copa, sobram R$ 2,721 bilhões. É um bom recurso!

Obviamente, esse cálculo trata apenas do investimento em construção e aquisição de equipamentos, com base em um padrão mínimo de qualidade mensurado no CAQi. Não estão sendo considerados, por exemplo, a imprescindível construção de creches, instituições de ensino técnico profissionalizante e de ensino superior. Muito menos estão sendo contabilizados custos essenciais para a manutenção das matrículas com qualidade, como salários condignos para os professores e demais profissionais da educação, custos com uma boa formação inicial e continuada para o magistério, além de uma política de carreira atraente. Como é de conhecimento geral, se tudo isso fosse considerado, tomando outros fatores do CAQi como referência, além de outros instrumentos, o Brasil precisaria investir, em 10 anos, cerca de R$ 440 bilhões em educação pública, ou o equivalente a 10% do seu PIB (Produto Interno Bruto) de 2012.

Hoje investe, conforme dados oficiais, cerca de R$ 233,2 bilhões.

Portanto, o exercício apresentado aqui serve basicamente para estimular uma reflexão: o orçamento público deveria obedecer a uma lógica de prioridade. Por mais que o povo brasileiro ame o futebol, os manifestantes têm declarado que preferem educação pública, saúde pública e transporte público de qualidade. A FIFA tem dito que a Copa de 2014 será um festa, a nossa festa. Se for verdade, será uma comemoração indigesta, pois já estamos sendo obrigados a engolir regras, padrões e ingressos caros e para poucos. E pior: todos os contribuintes brasileiros pagarão a conta.

Fonte-Revista educação

Saúde e Bem Estar 2 bimestre

Longevidade

Expectativa de vida aumentou em média 6 anos no mundo

Relatório divulgado pela OMS com dados de 1990 a 2012 mostra que mulheres têm expectativa de viver até os 73 anos, enquanto os homens chegam até os 68

A expectativa de vida aumentou mais nos países pobres, com um média de nove anos, afirma o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS)

A expectativa de vida aumentou mais nos países pobres, com um média de nove anos, afirma o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) (Thinkstock)

A expectativa de vida no mundo aumentou em média seis anos entre 1990 e 2012, de acordo com o relatório anual de estatísticas divulgado na quinta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para mulheres que nasceram em 2012, a expectativa de vida passou a 73 anos, enquanto que para os homens chegou a 68 anos.

Os dados mostram que, em todo o planeta, as mulheres vivem mais que os homens — a diferença é de seis anos nos países ricos e três anos nos países pobres. Além disso, os países pobres registraram um aumento mais expressivo na expectativa de vida, em média nove anos.

A maior evolução aconteceu na Libéria, na África, onde a expectativa passou de 42 anos em 1990 para 62 anos em 2012. Em seguida aparecem Etiópia, também na África, com um aumento de 45 anos para 64 anos, Maldivas, na Ásia, que passou de 58 anos para 77 anos, Camboja, que aumentou dos 54 anos para os 72 anos, Timor-Leste, que foi dos 50 anos para os 66 anos e Ruanda, onde a expectativa aumentou dos 48 anos para os 65 anos.

“Uma das principais razões que explica por que a expectativa de vida aumentou tanto é o fato de que morrem menos crianças antes dos cinco anos”, afirmou Margareth Chan, diretora-geral da OMS, no comunicado divulgado pelo organismo.

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Ricos e pobres — Em um país rico, um garoto nascido em 2012 deve viver pelo menos até os 76 anos, 16 anos a mais que um menino nascido no mesmo ano em um país pobre. Para as garotas, a diferença é ainda maior: se ela nascer em um país rico, a expectativa é que viva até os 82 anos, enquanto que em um país pobre deve viver até os 63 anos.

O lugar em que as mulheres vivem mais é o Japão – 87 anos. Em seguida vêm Espanha, Suíça, Cingapura e Itália, ondecostumam viver até os 85 anos. Já os homens vivem mais na Islândia, até os 81 anos, e na Suíça, Austrália, Israel e Cingapura, onde a expectativa chega aos 80 anos. “Nos países ricos, grande parte do ganho na expectativa de vida é devido ao sucesso ao combate de doenças crônicas. Menos homens e mulheres estão morrendo antes de chegarem aos 60 anos por doenças cardíacas e infarto”, afirmou o médico Ties Boerma, diretor do serviço de estatísticas de saúde da OMS.

Causas de morte — De acordo com as informações do relatório, as causas mais importantes de morte prematura são doenças coronárias, infecções respiratórias do trato inferior, como pneumonias, e acidentes vasculares cerebrais. O organismo também citou a obesidade infantil e os dados de tuberculose multirresistente como fatores de risco para a morte prematura. Fonte-Veja

Ciências 2 bimestre

Derretimento de geleiras na Antártida é 'irrefreável', dizem cientistas

Derretimento das geleiras do polo Sul pode elevar nível do mar em até 3,6 metros nos próximos séculos

derretimento das geleiras da Antártida Ocidental está avançando de forma gradual e "irrefreável", afirmaram dois novos estudos científicos. De acordo com os levantamentos, o derretimento que já começou não deve ter efeitos imediatos nos oceanos, mas poderá adicionar até 3,6 metros ao nível do mar nos próximos séculos, um ritmo de elevação mais rápido do que o previsto anteriormente.

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Os resultados dos estudos foram divulgados em uma entrevista coletiva convocada pela Nasa nesta segunda-feira. Os pesquisadores afirmaram que é provável que o derretimento ocorra por causa doaquecimento global provocado pelo homem e pelo buraco na camada de ozônio, que mudaram os ventos da Antártida e aqueceram a água que corrói as bases do gelo. Fatores naturais, no entanto, também podem estar entre as causas, acrescentaram os cientistas.

Em um dos estudos, a agência espacial americana analisou 40 anos de dados de solo, aviões e de satélite sobre o que os pesquisadores chamam de "o ponto fraco da Antártida Ocidental" que mostram que o colapso das geleiras da região está sendo provocado pela água morna do oceano que se infiltra por baixo da camada de gelo, acelerando o seu derretimento. "Parece estar acontecendo rapidamente", disse o glaciologista da Universidade de Washington Ian Joughin, autor de um dos levantamentos.

'Reação em cadeia' – Outro cientista envolvido nas pesquisas classificou o processo como "irrefreável" e explicou que nenhuma ação humana ou mudança climática poderá deter o derretimento, embora ele possa ser reduzido. "O sistema está em uma espécie de reação em cadeia que é irrefreável", disse o glaciologista da Nasa Eric Rignot, principal autor de um dos estudos. "Cada processo nesta reação está alimentando o próximo." Segundo ele, limitar as emissões de combustíveis fósseis para reduzir a mudança climática provavelmente não irá parar o derretimento, mas pode diminuir a velocidade do problema.
Fonte-Veja
(Com Estadão Conteúdo)